3 curtíssimas sobre o futuro que já chegou

Se está a suspirar por férias e simultaneamente com a sensação que o Natal foi na semana passada, permita-me que lhe envie um forte abraço de solidariedade. Não é que eu não saiba o que andamos a fazer durante estes quase 7 meses, mas a verdade é o tempo voou.

Sem mais delongas vamos a 3 assuntos que me chamaram a atenção na semana passada e que apesar de serem aparentemente estanques entre si, têm uma base comum.

Amazon vs. Whole Foods
A noticia tem uns dias e tem agitado muito boa gente por esse mundo fora. A gigante do comércio eletrónico Amazon prepara-se para comprar por 13,7 mil milhões de dólares a cadeia de mercearias Whole Foods especializada em produtos orgânicos e sem conservantes.

Para muitos analistas a noticia surge como natural depois do sucesso do projecto Amazon Fresh, onde depois de 7 anos a entregar produtos frescos nos EUA, a empresa alargou o serviço a alguns países da europa como o Reino Unido e Espanha. Pode ver em que consiste o projecto neste pequeno vídeo.

Em teoria, a Amazon está a entrar num negócio muito diferente do seu, mas não restam duvidas que a aposta é séria. Em que medida a cultura de mass market da Amazon pode estragar a cultura de nicho da Whole Foods é aquilo que falta saber.

Industria Automóvel reinventa-se
Para quem como eu não acompanha o mundo automóvel, a noticia caiu com surpresa. A partir de 2019 a VOLVO só produzirá carros elétricos ou híbridos. Apesar de ser uma empresa com pouca quota de mercado comparada com gigantes como o Grupo PSA, Wolswagen e General Motors, a medida tem tudo para ser um catalizador da industria considerando a politica anunciada recentemente pela Noruega e França.

A decisão dos escandinavos de definir 2025 como a data limite a partir da qual só permitiria a comercialização de carros elétricos ou híbridos foi recebida com naturalidade devido ao tamanho do país e à elevada percentagem de veículos elétricos em uso.  A decisão do presidente gaulês de definir a mesma ideia para 2040 ganha relevância considerando a importância que a industria automóvel tem no país.

Mais digno de nota, talvez seja o facto de em 2016 terem sido comercializados no mercado europeu 110.000 automóveis totalmente elétricos. Já o mercado chinês realizou vendas de 265.000 unidades como resposta aos níveis crescentes de poluição.
O facto da chinesa Geely ser o principal acionista da VOLVO também não é uma coincidência.

O LIDL está a surpreender a concorrência (e os produtores)
A ideia não veio da semana passada, mas agora é indesmentível. A oferta de produtos BIO Organic nos lineares na cadeia de distruibição discount tem crescido rapidamente ao largo do ultimo ano. Este posicionamento em toda a Europa ocidental tem pressionado outras cadeias de distribuição a rever a sua politica de produtos BIO conduzindo a pressão para a agricultura e indústria na busca de soluções de sustentabilidade e bem estar animal.

 

A ideia que as une
O que liga estas 3 estórias é a irreversibilidade da adopção de praticas de produção, comercialização e consumo que promovam a sustentabilidade. O desafio para as empresas é a escolha entre a tomada de iniciativa e a reacção. E não é uma escolha obvia.

Os “early adopters” terão desafios de aprendizagem própria e de educação e conquista de compradores e consumidores. Retirarão o beneficio de serem especialista no desenvolvimento, adquirindo conhecimento competitivamente muito vantajoso face a empresas que adoptem o processo mais tarde.

As empresas que decidam esperar que o mercado “as obrigue” a justar a sua oferta beneficiam da ausência de barreiras de desconhecimento pelo compradores e consumidores, mas terão que fazer a sua afirmação num contexto de maior dificuldade de diferenciação.

Há obviamente vantagens e desvantagens em cada um dos cenários e cabe a cada um decidir qual o timing para preparar a sua empresa para o que está a chegar. O que é claro, é que o comboio da sustentabilidade já partiu e a sua marcha segue em aceleração.

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